quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Igor querido,

A rede por cá na casa de meu pai está confortável, o céu está claro e os pássaros estão salvando tantas cores que cantam belamente. Moço, eu estava cá balançando com uma cadela em meu colo e logo deparei-me cantarolando melodias que de teus escritos vinham a memória. A cadela adormeceu. Olhe, Cecília e teus poemas vieram-me a escapar pelos lábios, engraçado, logo após Vanessa da Matta fazer adormecer a cadela. Admiração é algo que pouco uso, mas o pouco que uso faço do manuseio bem intenso. Com o senhor proseei pouco, mas digo que deste pouco muitos deveriam fazer. É calmante de alma. 

Os olhos foram fechando e saudade, termo maçante, veio molhando o rosto. Porém como de costume, carrego alguns versinhos que comigo florescem o coração. Um deles era teu, o choro agora fez-me sorrir. Poesias, carregadas de alma, fazem brotar sorrisos. As tuas são carregadas assim. És, moço, feito de palavras doces, ventos adocicados e alegria contagiante.

Perdoe-me pelas palavras pequenas, o papel por aqui é meio escasso - meu pai gastou tudo com desenhos, estávamos desenhando - e a caneta já está por falhar. Porém minhas poucas linhas são preenchidas por um enorme agradecimento. És uma doçura. Toca almas.

Afagos,
Inverno.

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